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Sou um investidor iniciante. E agora, estou frito?

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Costuma ser difícil começar uma coisa nova quando já se é adulto. Preguiça, insegurança e medo são alguns dos sentimentos que podem surgir nessa hora, fora aquela coisa de se sentir intimidado frente aos mais experientes.
Com investimentos não é diferente. Iniciantes vão errar, ter dúvidas e fazer perguntas e afirmações que eles mesmos – e outras pessoas não muito legais – vão considerar idiotas. Mas, por incrível que pareça, ser um investidor iniciante também tem algumas vantagens.

Você não tem fantasmas do passado

Em relação ao futuro, investidores iniciantes podem ter uma série de dúvidas. Será que vou conseguir aprender? Vou me sair bem? Por outro lado, têm a vantagem de não ter traumas por conta de más experiências anteriores.
No caso dos investimentos isso é bem notável. Muita gente que investiu em ações no passado acabou perdendo muito dinheiro e saindo do mercado para nunca mais voltar.
Essas pessoas acham que a bolsa é um cassino e dizem “ações nunca mais”. Para elas, as perdas podem ter sido tão dolorosas que não dá sequer para pensar em tentar de novo. Nem mesmo em investimentos que nada têm a ver com a bolsa.

Você não tem sentimentos de culpa

Para alguns traumatizados pode ser mais fácil culpar os outros – a bolsa, os golpistas etc. – pelo fracasso inicial nos investimentos. Mas aqueles que conseguem enxergar sua parcela de responsabilidade podem ser devastados por um sentimento de culpa paralisante.
Iniciantes quase sempre cometerão erros e isso é normal. Alguns dos erros típicos das pessoas que perdem dinheiro são achar que sabiam mais do que sabiam (autoconfiança excessiva) e investir muito dinheiro de uma vez.
Outros pecados comuns são investir com base em “dicas” e no que “ouviu dizer”, sem fazer uma análise mais profunda e ponderada. E, claro, acreditar que é possível ter retornos exorbitantes com quase nenhum risco.
Quem se culpa demais por esses erros acaba tendo dificuldade de tentar de novo, em vez de aprender com as falhas.

Você tem uma página em branco e começa do zero

Começar algo novo também tem algo de empolgante. Você tem a oportunidade de começar uma coisa do zero, dando os passos corretos. É claro que, para isso, precisa de informação, paciência e cuidado. Mas não dá pra negar que um novo desafio é estimulante.
“O investidor iniciante normalmente está num clima pessoal muito positivo e tem dinheiro guardado”, observa o consultor e educador financeiro André Massaro.
Além disso, pode também recordar as últimas vezes em que você teve uma má postura ao começar ou aprender algo novo, para tentar evitar esse comportamento.
Lembre-se daquela vez que tentou reproduzir um tutorial de internet na decoração da sua casa e deu tudo errado, porque a mocinha fofa e popular que gravou o vídeo simplesmente não mencionou algumas questões cruciais – e você não pesquisou mais em outras fontes.
Ou então da forma displicente como você estudava matemática para as provas na escola? Fazia um exercício, achava que já tinha entendido tudo, e o resultado… bem, você já sabe.
Pintar parede lousa parece mais fácil nos tutoriais da internet do que é realmente

Você tem um “medinho saudável”

O excesso de autoconfiança é um dos maiores erros que um investidor, iniciante ou não, pode cometer. Esse viés leva as pessoas a cometerem erros lógicos ao investir e a agir por impulso.
Quando temos noção das limitações das nossas habilidades e conhecimentos, dedicamos mais tempo à informação, ao estudo e à ponderação. Isso aumenta a probabilidade de tomar decisões mais racionais.
Uma série de estudos que relacionam o comportamento humano e a tomada de decisão em geral, incluindo no campo financeiro, evidenciam isso.
Sabe-se hoje que o controle emocional tem um papel tão grande quanto, se não maior que o conhecimento e as habilidades na hora de investir.
Aliados ao bom senso, a insegurança e o medo dos iniciantes podem ser benéficos. “A insegurança é positiva quando não é paralisante. Se é usada para estudar e pesquisar mais”, diz André Massaro. Ele lembra que o excesso de medo também pode levar a erros e perdas.
É claro que iniciantes também podem incorrer no erro do excesso de confiança. Mas se mantiverem em mente que são apenas iniciantes e têm muito que aprender, há chances de serem mais cautelosos.
A dica é nunca perder esse “medinho saudável”, nem depois de anos de experiência. E sempre reconhecer que você não está a par de toda a informação que existe, pode cometer erros e não é o sabe-tudo.
Um bom exemplo de como o medo saudável pode ser benéfico são as diferenças entre as formas de homens e mulheres investirem.
Pesquisas mostram que as mulheres costumam ter desempenhos melhores que os homens nos investimentos de longo prazo, mesmo tendo uma confiança menor. Os homens, aliás, são sabidamente mais propensos ao excesso de confiança e à tomada de risco.
Mulheres têm “medo saudável” ao investir e tendem a bater os homens
“Historicamente, as mulheres são iniciantes nos investimentos. A entrada delas no mundo financeiro é mais recente. Data de quando entraram no mercado de trabalho no século 20”, diz a psicanalista e pesquisadora em Psicologia Econômica Vera Rita de Mello Ferreira.
Ela explica que a insegurança feminina faz com que as mulheres sejam mais cautelosas, se informem mais e corram menos risco.
“Há pesquisas que mostram que elas são mais bem-sucedidas no longo prazo. Não ficam mudando de investimento toda hora e perdendo com taxas e impostos, como homens normalmente fazem”


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