Após a queda das taxas de juros, que tal começar a investir em pagadoras de dividendos?
Na última quarta-feira (30), o Banco Central cortou a taxa SELIC em 0,50 pontos percentuais.
A decisão manteve aquecida a discussão de juros mais baixos por mais tempo e forneceu suporte ao Ibovespa.
Nossos economistas esperam mais um corte de 0,50% na próxima reunião do Copom em dezembro. Além disso, é esperado um corte adicional de 0,25% na reunião de fevereiro.
Obs. Esse artigo não se tratar de uma carteira recomendada e sim uma analise do nosso entendimento de mercado. Todo investimento pode trazer risco de perdas significativa se a pessoa não tiver uma boa assessoria.
Para 2020, estimamos que a taxa SELIC permaneça no menor patamar de sua história, de 4,25%.
Com as taxas de juros rumando para as mínimas históricas, o maneira que o brasileiro investe também terá que mudar. Portanto, cada vez mais investidores terão que incorporar um componente de renda variável nas carteiras, sempre alinhado com seu perfil.
Contudo, sabemos que tal mudança não será fácil ou rápida para todos, uma vez que o ambiente de juros baixos é um fenômeno recente. Na nossa visão, um possível caminho são as ações que pagam elevados dividendos a acionistas.
Dessa forma, listamos dez ações na nossa cobertura para as quais estimamos um dividend yield* acima da SELIC nos próximos anos. Além disso, apresentamos o racional por trás das nossas estimativas.

Entenda mais sobre o tema:
O que são dividendos?
Dividendos são uma parte do lucro de uma determinada empresa que é distribuído aos seus acionistas.
De acordo com a Lei das S.A., as empresas de capital aberto têm que distribuir no mínimo 25% dos seus lucros a acionistas.
Tal lucro também pode ser distribuído na forma de Juros Sobre Capital Próprio (JCP). Esta é uma forma diferente de distribuir os lucros de uma empresa entre os seus acionistas.
Qual é a diferença entre dividendos e Juros sobre Capital Próprio?
O JCP é tributado em 15% pela Receita Federal na data do depósito, enquanto dividendos são isentos de tributação.
Como funciona a distribuição de dividendos?
Primeiro, o Conselho de Administração da companhia verifica se a empresa obteve lucro ao longo do exercício para distribuir uma parte aos acionistas.
Em afirmativo, a empresa deve deliberar sobre os dividendos a distribuir, e informar publicamente os valores e datas de pagamento.
A periodicidade de pagamento de dividendos varia de empresa para empresa, podendo ser mensal, trimestral ou anual.
O que é dividend yield?
O cálculo do dividend yield é feito com base na divisão do valor esperado em dividendos pelo preço das ações.
Entenda porque essas 10 empresas pagam elevados dividendos:
AES Tietê (TIET11) – Compra
Setor de atuação: geração de energia elétrica
O segmento de geração de energia possui margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada.
O segmento de geração de energia possui margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada.
Assim sendo, a AES Tietê apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas. A companhia tem a prática de distribuir 100% do lucro líquido a acionistas com periodicidade trimestral. Estimamos um dividend yield de 9,8% em 2020-21.
Taesa (TAEE11) – Neutro
Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos.
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos.
Além disso, a TAESA consegue aliar dividendos à busca continua por crescimento, seja pela participação em leilões de novas linhas, seja pela aquisição de projetos de outras empresas. Estimamos um dividend yield de 8,3% em 2020-21.
ISA CTEEP (TRPL4) – Neutro
Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos. Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE).
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos. Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE).
Também notamos que a CTEEP tem, desde 2018, uma política de dividendos que prevê a distribuição de, no mínimo, 75% do lucro a acionistas, desde que o endividamento se mantenha sob controle. Dado que a CTEEP é uma companhia com poucas dívidas, não descartamos o pagamento de dividendos extraordinários no futuro. Estimamos um dividend yield de 8,3% em 2020-21.
CEMIG (CMIG4) – Neutro
Setor de atuação: geração de energia elétrica
A política de dividendos da Cemig prevê a distribuição de 50% do lucro líquido aos acionistas da companhia.
A política de dividendos da Cemig prevê a distribuição de 50% do lucro líquido aos acionistas da companhia.
Além disso, os acionistas das ações preferências (CMIG4) tem prioridade no recebimento de proventos, com dividendo mínimo igual ao maior dos seguintes valores (i) 10% de seu valor nominal de R$5,00/ação (valor do balanço patrimonial) ou (ii) 3% do valor do patrimônio líquido das ações. Estimamos um dividend yield de 5,5% em 2020.
Engie (EGIE3) – Neutro
Setor de atuação: geração de energia elétrica
O segmento de geração de energia possuí margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada. Por este motivo, a Engie apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas.
O segmento de geração de energia possuí margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada. Por este motivo, a Engie apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas.
A Engie ainda se destaca pela capacidade diferenciada de se proteger dos efeitos de baixa incidência de chuvas, além de ter expandido sua atuação para os setores de transmissão de energia e transporte de gás. Estimamos um dividend yield de 8,3% em 2020-21.
Sanepar (SAPR11) – Compra
Setor de atuação: saneamento básico
A elevada distribuição de dividendos da Sanepar se deve à política de dividendos da companhia.
A elevada distribuição de dividendos da Sanepar se deve à política de dividendos da companhia.
A política prevê a distribuição do dividendo mínimo de 25% do lucro, além de 25% adicionais caso a situação financeira da empresa o permita (o que acontece desde 2012). Estimamos um dividend yield de 6,8% entre 2020 e 2022.
Copasa (CSMG3) – Neutro
Setor de atuação: saneamento básico
A Copasa possui uma política de dividendos que prevê uma distribuição de no mínimo 25% e no máximo 50% do lucro como proventos. Além disso, há a possibilidade de distribuições extraordinárias caso certas condições de endividamento sejam cumpridas.
A Copasa possui uma política de dividendos que prevê uma distribuição de no mínimo 25% e no máximo 50% do lucro como proventos. Além disso, há a possibilidade de distribuições extraordinárias caso certas condições de endividamento sejam cumpridas.
Com base em nossas estimativas, acreditamos que a Copasa deveria cumprir tais condições sem dificuldades, o que nos leva a estimar um potencial dividend yield extraordinário de até 10,6% para os próximos anos (não incorporado em nossas estimativas).
BR Distribuidora (BRDT4) – Neutro
Setor de atuação: distribuição de combustíveis
A BR Distribuidora é uma empresa com baixo endividamento.
A BR Distribuidora é uma empresa com baixo endividamento.
Além disso, a companhia relevantes recursos de um acordo com a Eletrobras anunciado em 2018, e também destacamos a e antecipação dos recebíveis da Amazonas Energia R$1,4 bi em setembro de 2019. Tais fatores nos levam a estimar um dividend yield de 7,6% para a BR em 2020-21.
Gerdau (GGBR4) – Compra
Setor de atuação: siderurgia
A Gerdau, dentre as empresas siderúrgicas de nossa cobertura, tem como um de seus diferencias sua exposição geográfica diversificada, dado que a empresa possui operações relevantes fora do Brasil, com destaque para os Estados Unidos. Tal diversificação é positiva e permite à Gerdau um certo grau de consistência nos lucros e, consequentemente, na distribuição de dividendos aos acionistas.
A política de dividendos da empresa define o pagamento de proventos de, no mínimo, 30% do lucro líquido, com distribuições trimestrais. Estimamos um dividend yield de 6-7% em 2020.
Klabin (KLBN11) – Neutro
Setor de atuação: papel e celulose
Atuando tanto nos segmentos de papel e embalagens, quanto de celulose, a Klabin possui como um de seus diferencias sua flexibilidade. O negócio de papéis e embalagens dá resiliência para a empresa e, portanto, permite um certo grau de consistência nos lucros, embora a exposição à celulose adicione algum grau de volatilidade dependendo dos preços da commodity e câmbio.
A política de dividendos da empresa prevê a distribuição de, no mínimo, 25% sobre o lucro líquido ajustado. Vale notar que é prática comum da Klabin pagar um valor superior, na forma de 20% do EBITDA Ajustado, em periodicidade trimestral. Estimamos um dividend yield de 5% para a Klabin em 2020-21.
OUTROS NOMES PARA MONITORAR DIVIDENDOS NO FUTURO
Petrobras (PETR4) – Compra
Segundo a nova política de remuneração dos acionistas da Petrobras, caso a empresa atinja um patamar de endividamento bruto inferior a US$ 60 bilhões, a Companhia poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos.
Esperamos que esse cenário passe a acontecer a partir de 2022, a salvo que a empresa avance na agenda de venda de ativos, que pode gerar fluxos entre US$ 20 bilhões e US$ 24 bilhões para a empresa. Isso aumenta a atratividade da Petrobras como pagadora de dividendos, com um potencial dividend yield de 8,4%.
Vale (VALE3) – Compra
Implementada no início de 2018, a política de dividendos da Vale foi definida em 30% da diferença entre o EBITDA e o investimento corrente, apurados no resultado do primeiro semestre, para a parcela de setembro, e no resultado do segundo semestre, para a parcela de março.
No entanto, em função da tragédia de Brumadinho, o Conselho de Administração da Vale anunciou no dia 27 de janeiro de 2019 a suspensão da Política de Remuneração aos Acionistas e, consequentemente, o não pagamento de proventos ou recompra de ações.
Ainda que os desembolsos referentes à tragédia estejam sendo feitos, a Vale vem apresentando forte geração de caixa, levando a um baixíssimo nível de alavancagem de 0,5x dívida líquida/EBITDA, o nível mais baixo desde 2008.
Com a normalização das operações adiante, e a ausência de proventos em 2019, todos os olhos estão voltados para o pagamento dos dividendos em 2020. Contudo, estimamos, conservadoramente, um dividend yield entre 7-8% para 2020, aquém da capacidade máxima de pagamento da empresa, mas em consonância com o legado de Brumadinho.
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