
Este não é o momento de irmos às
compras de ativos de risco. Ainda. Chegará
essa hora. Mas não é agora. O momento
enseja cautela, diante de tanta
incerteza e dispersão de resultados
possíveis. Os mais pessimistas falam em
taxa de desemprego de 30% para os EUA,
queda de 30% do PIB no trimestre e
dois anos de recessão.
A verdade é que não se sabe o real
impacto do coronavírus sobre a economia.
Chutam um monte de coisa acreditando
nos próprios superpoderes. Com
efeito, não se sabe até se o melhor é
promover o total lockdown ou se relaxar
as regras de confinamento. Há dúvidas
de toda a sorte no ar, o que enseja a
necessidade de cautela e foco na proteção
patrimonial. Pela primeira vez na
nossa geração, podemos dizer,
literalmente, que o foco do investidor deve
estar na sobrevivência.
Há algumas semanas, temos defendido
uma postura conservadora e defensiva
nos portfólios. Propusemos uma alocação
da ordem de 30% em dólar e ouro,
sugerimos redução da posição líquida
comprada em ações para algo em torno
de 10% e alertamos para riscos em posições
grandes em juros longos —
estamos ainda com uma posição em
indexados (NTN-B). Ao mesmo tempo,
dentro da seleção de ações, fizemos um
importante redirecionamento em prol
de nomes considerados “quality”, cujos
negócios “aguentam desaforo”.
Empresas de balanço forte, pouca dívida,
líderes de mercado, altas barreiras à
entrada, boas margens, bom management,
marcas reconhecidas, alto retorno
sobre capital investido,
previsibilidade de resultados, e por aí vai.
Entendo que esse seja o mindset
adequado para o momento. Foco total na
proteção patrimonial e na sobrevivência.
Ponto final. Essa é a única decisão
prudente a se tomar.
Contudo, a hora da virada está se
aproximando e precisamos estar preparados
para ela. Seja por conta de um
valuation muito atrativo, caso, por exemplo, o
Ibovespa venha abaixo dos 60 mil
pontos, ou por conta de um cenário mais
claro sobre os desdobramentos e
impactos da crise. Em outras palavras, na
hora em que a combinação risco e
retorno potencial estiver mais convidativa,
vamos aproveitar. E com gosto. Seja
porque o retorno potencial aumentou
muito, pois os preços caíram, seja
porque os riscos diminuíram muito e o
horizonte ficou mais nítido.
Em breve, haverá grandes oportunidades
de se posicionar para
supermultiplicações em Bolsa. As posições
realmente vencedoras, aquelas que
fazem crescer quatro, cinco, dez vezes
o capital, são montadas no bear market,
na hora ruim, quando elas negociam
muito baratas. Tudo que o investidor não
pode neste momento é perder a recuperação.
E esteja ciente disso: ela virá,
ainda que demore um pouco. Acertando a
hora da virada, os ganhos, ainda
neste ano, podem ser muito maiores do
que nossas cabeças lineares
conseguiriam supor.

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